Oscar é tipo natal

Dizem que o Oscar® (fui no Google só pra copiar esse símbolo de marca registrada então peço que você pare um segundo pra apreciar meu esforço) tem esse nome porque uma mulher olhou pra estatueta e achou que ela se parecia com o marido dela, que se chamava Oscar. Ele era dourado, sem rosto e não usava roupas (esta parte eu deduzi). Bem, eu nunca perco uma cerimônia de entrega dos Oscars. Todo mundo sabe que a premiação é, no fundo, uma parada meio chata. Todos aqueles prêmios técnicos desinteressantes, todos aqueles filmes que você não viu, aqueles discursos de agradecimentos que só importam pras famílias dos vencedores.

Mas tem muito glamour e gente famosa de terno reunida, acho que por instinto a gente não consegue resistir a ver isso. E acho que tem outra coisa também… as pessoas continuam assistindo ao Oscar porque ele só passa uma vez por ano. Com natal também é assim, eu sei que é sempre a mesma coisa, mas eu sempre me animo, aí no dia eu percebo, “ei, mas o natal é só isso”, só que no ano seguinte eu gosto do natal de novo, e o ciclo segue dessa forma.

No Oscar eu posso despertar o meu espírito de torcedor que não se manifesta toda quarta-feira como o da maioria dos brasileiros, porque eu cago violentamente pra futebol. Então Oscar pra mim é tipo final de copa. Até pouco tempo atrás eu me comportava feito um débil mental na internet na noite da cerimônia – quando ganhava alguém por quem eu tava torcendo eu escrevia bobagens em caixa alta, com muitos pontos de exclamação… coisas que me faziam sentir vergonha já no dia seguinte.

E antigamente eu assistia ao Oscar segurando um caderninho com uma lista de todos os indicados. Dava trabalho copiar tudo do computador pro papel. E aí na noite da cerimônia a minha diversão era circular os nomes dos vencedores cada vez que eles eram anunciados. Assim que o Oscar terminava a lista não tinha mais utilidade, então eu não sei qual era o sentido disso.

Recentemente a experiência de assistir ao Oscar se tornou mais legal e, ao mesmo tempo, mais trabalhosa. Porque hoje em dia eu divido minha atenção entre o Oscar na TV, e os comentários das pessoas na internet através do Twitter, Skype e sites de notícias e tal… e surgem muitas opiniões porque em noite de Oscar, todo mundo é crítico de cinema, todo mundo entende dessa merda. Vem a sua mãe e fala, “ai, aquele menino novo merece ganhar o Oscar, ele tá muito bem fazendo papel de gêmeos na novela”. Dizem que em época de Copa do Mundo o Brasil vira um país de 200 milhões de técnicos. Pois em noite de Oscar os habitantes do planeta se transformam em 7 bilhões de Josés Wilkers.

Bom, pra mim só resta ficar torcendo pra que este ano os heróis da nave louca do BBB demorem pouco no confessionário. Tipo, “vou indicar o fulano porque ele é feio, tchau”. Tem que ser assim porque eu sou pobre, não tenho TV a cabo, então dependo da Globo pra ver o Oscar. A cerimônia só começa pra mim depois que a Globo acha que já dedicou tempo suficiente ao paredão do Big Brother. E eu nem posso ver pela internet porque a minha conexão é ruim demais pra acompanhar streaming de forma digna. Complicada essa vida, viu.

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Diário Campus Party 2012 (Parte 1)

“Disneylândia Nerd” é o termo que eu mais gosto de usar pra definir a Campus Party. Mais do que a presença de palestrantes gringos ou marcas famosas, o mais legal aqui é o encanto que tem no ar quando você anda pela arena e vê aquele mar de informação invadindo o seu campo de visão, tanta celebração à tecnologia, tanta gente parecida com você, tanta gente que você admira ali meio que convivendo com você. Não dá pra explicar direito. Só sei dizer que eu com certeza moraria aqui se pudesse.

Além disso, a Campus Party também é o evento onde você vê mais ruivas do que verá em qualquer outro lugar na sua vida. E onde as coisas que não são de graça são bizarramente caras.

Participei no ano passado (clica aqui, aqui e aqui) e agora vim de novo. Prometi que desta vez eu ia me dedicar a ver umas palestras mais construtivas, coisa de HTML5, software livre e tal… informo vocês com exclusividade que a promessa não se cumpriu. Mas eu tô tentando, fui em algumas. Ruim mesmo é quando eu vou nuns debates/palestras que não são nem divertidos e nem exatamente construtivos, daí em algum momento eu me pergunto “o que eu tô fazendo aqui?” e saio antes da metade.

Mas vamos relembrar o momento da chegada no evento. A primeira noite foi frustração. Toda aquela eternidade de fila de costume, umas cinco horas de pé sem comida e água, cheguei na barraca destruído. E aí quando fui tratar da minha abstinência (desde sexta sem internet), descobri que a merda da internet não tava funcionando direito. Tentei um tempão em um monte de cantos diferentes da arena e nada (depois descobri a razão). Cara, isso me deixou muito transtornado (“transtornado” é uma daquelas palavras que eu gosto e fico procurando uma oportunidade pra usar).

(E a seguir, o momento #ClasseMediaSofre.)

O Anhembi é escuro e triste. E tem umas partes de metal no chão que fazem barulho quando a gente pisa. E eu tive problema até pra descobrir como ligar o chuveiro (sério), e nem podia pedir ajuda porque um lugar frequentado por homens pelados é certamente o menos adequado para qualquer tipo de interação. E caramba, a água do chuveiro é muito violenta, cai forte, uns pingos quase que machucam, até. Ah, e vocês não fazem ideia de como é difícil arranjar um lugar numa das mesas pra usar a internet. Fiquei realmente transtornado (eu gosto dessa palavra e vocês não têm o direito de nos separar).

Os lugares que não estão ocupados estão "reservados".

Mas o primeiro sorriso apareceu no meu rosto quando teve o show dos Game Boys, que foi muito mais épico do que eu esperava.

E dia seguinte começaram todas as atrações e palestras e aí a paz reinou novamente. Mal é que esse ano a Campus Party tá rolando em fevereiro – portanto as aulas já começaram lá na faculdade. Tava com um trabalho pra entregar essa semana, mas não dá não. Metade do tempo que a gente passa aqui a gente passa em fila, não sobra tempo pra pensar em estudo. E tem todas as aparições do Jovem Nerd que eu vou ver ainda, ganhar um diploma universitário fica com uma posição mais abaixo na lista de prioridades.

E não me julguem, mas em boa parte do tempo minha alimentação tem sido à base de biscoito, pipoca, café e tudo mais que dão de graça nos stands. Capaz de eu nem ser o único fazendo isso, observando que só pra pegar a mochila dos brindes na quarta-feira se formou uma fila comparável à que teve pra conseguir autógrafo do Woz no ano passado.

E por enquanto é isso. Ainda não tive coragem de concretizar aquele meu plano de abordar alguma webcelebridade dizendo “tira uma foto?”, depois entregar a câmera na mão dela e posar pra foto sozinho, porque essa ideia é meio escrota. Mas se alguém se dispuser a ser meu comparsa, tamos aí.

Se você for à Campus Party, não visite: a minha barraca. Ela fica fechada direto com os tênis, a roupa suja e tudo mais, então o cheiro não tá legal.

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Os estranhos métodos de ensino de Augusto Liberato

Fico muito preocupado com a situação do ensino público brasileiro quando assisto à Escolinha do Gugu.

A Escolinha do Gugu é uma Escolinha do Barulho RELOADED, com o bônus da participação de uma das figuras mais sólidas da TV, Augusto Liberato. É um espetáculo trash que se assume como tal e dispara uma coleção de bordões toscos, um pior que o outro, tão forçados que os do Zorra Total ficam até parecendo inteligentes. Isso sem contar as várias senhoritas que não estão ali exatamente por talento cômico.

Vários dos alunos antigos estão lá de volta – o que é meio deprimente. O que aconteceu com a carreira dessa galera, né? Olho pra Mari Alexandre e sinto uma certa desilusão naquele olhar, talvez um arrependimento por não ter terminado a faculdade de enfermagem como mamãe aconselhou. O conflito interno da Sra. Alexandre se reflete em sua atuação, que parece ainda mais amadora que antigamente.

Mas bem, vou dizer o que me preocupa de verdade nisso tudo. Aparentemente eu sou o único que reparou que os métodos de ensino do Prof. Augusto são muito estranhos. Não vou nem citar o fato de que ele não dá aula, porque esse é um problema frequente entre os professores da TV. Mas é que os critérios avaliativos são radicais demais, ele adora dar zero pra todo mundo (opa), e quando manda uma nota mais generosa, é por razões meio incoerentes tipo “gostei do jeito que o senhor contou a história”.

Qual das pessoas nesta foto possui um diploma? VALENDO!!

Um dos alunos mais injustiçados é Cândido Manso, um senhor casado com uma mulher adúltera. O cara geralmente responde às perguntas corretamente, mas aí o Augusto fala alguma coisa do tipo: “a resposta tá certa, mas por deixar a sua mulher fazer isso com o senhor, a sua nota é 7″. Putz, corno só se lasca mesmo!!

E se pra todo mundo ele só fica fazendo pergunta (é assim nas escolas da televisão), por que a única que ele pede pra trazer redação toda semana é a Cacau do Big Brother? Um tratamento assaz desigual. Aliás, a Cacau do Big Brother é sem dúvida o grande talento desse programa. Ela interpreta uma personagem antiga do programa, a Linda Rosa, que lia aquelas redações engraçadinhas com umas abaixadinhas estratégicas, umas viradinhas marotas, tudo sem a menor maldade, claro.

Cacau do Big Brother não é atriz. Nós sabemos disso, ela sabe, a produção do programa também sabe. Mas tenho a impressão de que a Geisy Arruda já se considera colega de profissão do Marlon Brando. Com certeza, quando ela vai preencher documento no hotel já bota “atriz”, ou talvez “humorista”. Será que a gente devia contar a verdade pra ela, pessoal?

Como a Record queria fazer um revival com o máximo de gente das antigas possível, também está lá o Paulo Cintura, o único aluno da Escolinha que não é nem humorista e nem gostosa. A função dele é falar pra galera da importância de ser saudável e interromper a aula pra malhar. Mas aparentemente o seu Paulo Cintura tá velho demais até pra fazer umas flexões. Daí, toda vez que chega na vez da participação dele, entra em cena um tal de CINTURINHA. Um sobrinho do cara que entra ali só pra fazer flexão por meio minuto e ir embora. O quão bizarro é isso?

Mas voltando ao assunto. Prof. Augusto também demonstra falta de profissionalismo ao lidar com a Dona Fifi de Assis, uma aluna que às vezes vai pra escola de meia-calça vermelha (!). A moça tem uma enfermidade que a leva a sentir calor extremo quando recebe notas altas (hipertermia acadêmica?). Todos os alunos só respondem a uma pergunta a cada aula, mas Fifi de Assis tem que responder a três. Será que o Prof. Augusto faz isso propositalmente, por saber que ela tira uma peça de roupa a cada acerto?

Aguardamos uma atitude do Ministério da Educação.

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Meu pesadelo dos últimos dias

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Sobre como um desenho meu foi parar numa camiseta do Pânico (e eu não ganhei nada com isso)

Faz tempo que sou fã do Jovem Nerd. E em 2008 eu tava no auge da adoração, “colecionava” nerdcasts no computador e ouvia os melhores episódios mais de uma vez. Foi aí que, como tantos outros fãs do site, resolvi homenagear os senhores Alottoni e Azaghâl através de um desenho.

Com a ajuda dos meus velhos amigos mouse e paint, tentei fazer minha própria versão do mascote do Jovem Nerd, incorporando alguns elementos da “mitologia” do site, algumas bobagens que me desse na telha e até um pouco de mim mesmo. Saiu isso:

Tosquinho, mas deem um desconto.

Aí um dia, em fevereiro de 2009, vi nos comentários de um post do Nerdcast o povo falando que o Pânico tinha plagiado o Jovem Nerd, e coisa e tal. Cliquei num link pra ver do que se tratava, e adivinha o que encontrei?

Eu sei que você não tá acreditando, mas o Pânico catou uma ilustração minha e usou num ítem infantil da sua linha de camisetas!

E sabe o que me deixou mais transtornado? Não foi saber que eles tinham usado meu desenho sem autorização. Doeu mesmo é saber que eles deformaram totalmente o coitado. Putz, meu desenho podia não ser o melhor do mundo, mas essa versão deles é um insulto. Com umas alterações tão bizarras que eu de início achei que era fake. E tem até franjinha emo! Qual é a dessa franjinha emo, pelo amor de Deus? E TÁ ESCRITO “VAGABOY” (!!!) LÁ EM CIMA!! É DEMAIS PRA MIM!

Mas não era fake. Tava no próprio site da loja, e o Jovem Nerd até recebeu fotos de leitores que encontraram a dita cuja por aí.

Quando me viu comentando no site que eu não tinha conhecimento da camiseta até então, o Azaghâl entrou em contato comigo pra saber melhor dessa história. Trocamos um par de mensagens e aí ele não me respondeu mais. Eu fiquei sem saber que tipo de atitude tomar na época (mandar um e-mail pro Emílio Surita dizendo “NOS VEMOS NOS TRIBUNAIS”?), daí acabei esquecendo do assunto e quando finalmente voltei a pensar nisso, mais de um ano depois, imaginei que já tava meio tarde pra resolver essa história e deixei pra lá de vez.

Me limitei a mandar um novo e-mail pro Azaghâl perguntando se eles tinham feito alguma coisa a respeito, e ele disse que chegaram a falar com advogado e tal, mas ia dar trabalho pra provarem que o tal “Vagaboy” era derivado do mascote do site, então preferiram ignorar. Situação diferente da minha, já que o “Vagaboy” (cara, que nojo desse nome) era obviamente uma versão modificada do meu desenho.

Do jeito que a camisa parece ter saído de circulação rápido, tá na cara que esse troço horrendo não vendeu mais que meia dúzia de unidades, mas acho que se eu entrasse com um processo iam ter que usar a renda da loja Pânico inteira pra me pagar.

O pior é que eu sei que, se até hoje não vi um centavo dessa tal camisa, a culpa é totalmente minha. Total inércia minha. Mas também, nem sei se queria mesmo processar os caras por causa disso.

Por via das dúvidas, vou guardar um rascunho de “NOS VEMOS NOS TRIBUNAIS” em letras garrafais aqui nos meus e-mails.

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3×4

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Parem, por favor parem, vocês estão fazendo tudo errado

Adoro os Beatles desde que eu tinha 12 anos. Mas é fato que essa é uma banda que tem uns fãs malas. E os fãs mais malas são os que decidem prestar tributos aos caras. Esses tributos bem que podiam ser em forma de dinheiro, em forma de sacríficio de virgens, qualquer coisa, mas não: desde que o mundo é mundo as pessoas insistem em regravar os clássicos dos Beatles. E cover de Beatles raramente é legal. É sempre aquela coisinha assim, uma voz suave, um violão, talvez um piano, e “Yesterday all my troubles seezzzzzzzzZZZZZZZZZ…

O filme Across the Universe é isso. Na verdade são DUAS HORAS disso. Nunca assisti a um episódio de Glee, mas tenho a impressão de que a série deve ser uma coisa meio no estilo desse filme, então já fico com medo de assistir. Porque o que esse Across the Universe faz é basicamente pegar umas músicas dos Beatles (em especial os hits mais românticos) e apresentá-las em novas versões interpretadas por jovens sensíveis e talentosos. Receita para o desastre. Não posso passar duas horas ouvindo clássicos dos Beatles cantados por uma galera do naipe dos finalistas do programa Ídolos. Não, não, isso não é nada bom.

(pequena pausa no texto para dizer que esse cara loiro de blusa preta se parece muito com o Kurt Cobain)

Entre as músicas, se desenrola uma história de amor boba. Ah, e preciso dizer que o filme fica incluindo uns “easter eggs”, referências a nomes e outras coisas de canções dos Beatles? Os personagens têm nomes tipo Lucy, Jude, Prudence e rolam uma situações tipo uma menina que “entrou pela janela do banheiro”, e um cara dizendo que vai fazer tal coisa “quando tiver 64 anos”… cara, acho que eu considerava essa uma brincadeira original quando a vi numa HQ da Turma do Penadinho quando eu tinha uns 6 anos.

Mas calma, não fiquem assim, eu vou dar uma outra chance pra vocês. Aceito um novo filme de reinterpretações das músicas dos Beatles, desde que todas as versões sejam feitas por este cara:

(Na boa, nem achei Across the Universe tão ruim assim, o filme é interessante.)

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